segunda-feira, 1 de abril de 2013

Fim

Hoje procuro-te sem saber se te vou encontrar. Há dias em que te vejo, a correr, mas não sei se és tu. Ainda que não te conheça, tenho quase a certeza que és tu. Mas não sei se és tu.
Peço-te que não corras. Chove lá fora e acredito que seja desagradável (sei que é desagradável) ficar com os pés molhados e que detestas o pescoço enregelado e que constipas facilmente. Embora saiba tudo isso, peço-te que não corras.
Se corres penso que foges. Se de mim foges fico triste. Se de outro foges fico preocupado. Não corras. Leva guarda-chuva e agasalha-te bem. Não corras. Pelo menos, não por mim.
Procuro-te sem saber se te vou encontrar. Há dias em que te vejo, a correr, estendo a mão e não te consigo tocar. Como vais rápido! Nesses dias chego a casa a pensar que talvez não fosses tu. Afinal não sei quem és, mas amanhã procurar-te-ei novamente.

Não é fácil encontrar um desconhecido. Ajuda-me. Se leres isto, olha para trás. Ah, e não corras, porque se corres penso que foges.

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