Parei numa mesa de esplanada. Sentei-me, ocupado entre folhas, um café e pouca vontade. Todas as pessoas que passavam à minha frente recebiam o meu olhar inquiridor. Por cada uma delas levantei os olhos tentando reconhecer-te. Como és?
Quando percebi que, mais uma vez, não eras tu que cruzavas o meu horizonte, baixava os olhos, envergonhado. Repetidamente os meus olhos subiram esperançosos e desceram cabisbaixos. A determinada altura tentava-me convencer que não irias passar por ali - Se não foi desta vez, porque seria agora diferente. Mas sempre olhava sempre. Quando vens?
Horas depois, com pouco proveito retirado, levantei-me. Não consegui evitar um último olhar em redor. Porquê? Envergonhado, novamente. Estúpido... Mas não consegui evitar. Quem sabe se não passaste sem eu te ver? Se soubesse o teu nome facilmente te chamaria, mas assim... Quem és?
Saído, percorro corredores com uma réstia de esperança. Talvez descubra por onde te moves ou onde descansas ou onde te alimentas (partindo do princípio que te moves e descansas e alimentas). Onde estás?
Quando te vir tenho a certeza que te reconhecerei. Irei olhar-te nos olhos(?) e saber que és tu. E aí todas as perguntas que me enchem hoje - porque todo eu sou perguntas - encontrarão respostas. Como és? Quando vens? Quem és? Onde estás? Nesse dia, saberei. Nesse dia, serei. Até lá, envergonho-me.
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