Não tenho nada para te dizer. Simplesmente preciso de falar contigo.
Estou sentado de perna cruzada, com o computador entre os joelhos. O calor que dele sai faz lembrar os meus braços que embora seja Primavera, as noites não o parecem. Espero que estejas mais confortável que eu.
Sonhei contigo a noite passada. Raramente me lembro dos meus sonhos, mas este foi um desses raros casos. Estávamos debruçados à beira-rio, numa ponte iluminada; não sei qual rio e muito menos sei qual ponte. Abraçava-te. Estavas de costas para mim e eu envolvia-te com os meus braços. Encolhias-te e eu abraçava-te.
Agora que penso: porque não me lembro de uma única característica tua?! Mais uma vez sinto que me escapas entre os dedos... Tive-te nos meus braços e não faço ideia de como és. Escapas-me pelos dedos, mas eu abraçava-te.
Lembro-me de pensar se não era perigoso, estar assim numa ponte, a meio da noite - talvez por isso te encolhias. Precisava de te fazer sentir protegida, logo não podia duvidar da nossa segurança, mesmo que duvidasse. Não sei se pousava o meu queixo na tua nuca, mas gosto de pensar que sim. Não sei se cheiravas a um perfume doce misturado com um café bebido recentemente, mas gosto de pensar que sim. Não sei se te sentias segura graças ao meu abraço apertado, mas gosto de pensar que sim.
Do rio, pouco via. A ponte era alta e estava relativamente escuro. Luzes fugazes saltavam de ambas as margens e perdiam-se na água. Se a tranquilidade fosse sonora tínhamo-la ouvido. Não posso afirmar, mas penso que passavam carros por trás de nós... Recordo-me de ouvir uns ruídos; talvez não.
A única certeza que tenho, o momento pelo qual punha as mãos no fogo em como aconteceu é aquele em que falo contigo. Longos minutos de um saboroso silêncio, que me fazia unir a ti no verdadeiro sentido da palavra, como se de osmose se tratasse. Esta reconfortante falta de som foi quebrada por mim. Obrigado, disse-te. Encostei-me ao teu ouvido, onde quer que ele estivesse e segredei, com medo de te assustar ou que o silêncio não voltasse. Obrigado, disse-te. Não me falaste. A tua voz, como todo o teu corpo não ficou exposta. No entanto, respondeste-me direto ao pensamento, por telepatia ou o quer que seja. Um sorriso terno e enternecedor foi o que me vibrou na cabeça, sem saber de onde tinha vindo. E acordei.
Não tenho nada para te dizer. O que te contei foi para estar um pouco contigo. Embora seja verdade, penso que não serve de nada contar-te sonhos meus, tanto os acordados quanto os dormidos. Ainda assim, serviu o propósito de me levar palavras.
Não tenho nada para te dizer. Simplesmente preciso de falar contigo. Raramente me lembro dos meus sonhos, mas sonhei contigo a noite passada. Encolhias-te e eu abraçava-te. Sonhasse contigo todos os dias e teria narcolepsia; sonhasse contigo dia nenhum e daria em louco; sonho contigo algumas vezes e preciso de te escrever, mesmo que não tenha nada para te dizer.
Estou sentado de perna cruzada, com o computador entre os joelhos. O calor que dele sai faz lembrar os meus braços que embora seja Primavera, as noites não o parecem. Espero que estejas mais confortável que eu.
Sonhei contigo a noite passada. Raramente me lembro dos meus sonhos, mas este foi um desses raros casos. Estávamos debruçados à beira-rio, numa ponte iluminada; não sei qual rio e muito menos sei qual ponte. Abraçava-te. Estavas de costas para mim e eu envolvia-te com os meus braços. Encolhias-te e eu abraçava-te.
Agora que penso: porque não me lembro de uma única característica tua?! Mais uma vez sinto que me escapas entre os dedos... Tive-te nos meus braços e não faço ideia de como és. Escapas-me pelos dedos, mas eu abraçava-te.
Lembro-me de pensar se não era perigoso, estar assim numa ponte, a meio da noite - talvez por isso te encolhias. Precisava de te fazer sentir protegida, logo não podia duvidar da nossa segurança, mesmo que duvidasse. Não sei se pousava o meu queixo na tua nuca, mas gosto de pensar que sim. Não sei se cheiravas a um perfume doce misturado com um café bebido recentemente, mas gosto de pensar que sim. Não sei se te sentias segura graças ao meu abraço apertado, mas gosto de pensar que sim.
Do rio, pouco via. A ponte era alta e estava relativamente escuro. Luzes fugazes saltavam de ambas as margens e perdiam-se na água. Se a tranquilidade fosse sonora tínhamo-la ouvido. Não posso afirmar, mas penso que passavam carros por trás de nós... Recordo-me de ouvir uns ruídos; talvez não.
A única certeza que tenho, o momento pelo qual punha as mãos no fogo em como aconteceu é aquele em que falo contigo. Longos minutos de um saboroso silêncio, que me fazia unir a ti no verdadeiro sentido da palavra, como se de osmose se tratasse. Esta reconfortante falta de som foi quebrada por mim. Obrigado, disse-te. Encostei-me ao teu ouvido, onde quer que ele estivesse e segredei, com medo de te assustar ou que o silêncio não voltasse. Obrigado, disse-te. Não me falaste. A tua voz, como todo o teu corpo não ficou exposta. No entanto, respondeste-me direto ao pensamento, por telepatia ou o quer que seja. Um sorriso terno e enternecedor foi o que me vibrou na cabeça, sem saber de onde tinha vindo. E acordei.
Não tenho nada para te dizer. O que te contei foi para estar um pouco contigo. Embora seja verdade, penso que não serve de nada contar-te sonhos meus, tanto os acordados quanto os dormidos. Ainda assim, serviu o propósito de me levar palavras.
Não tenho nada para te dizer. Simplesmente preciso de falar contigo. Raramente me lembro dos meus sonhos, mas sonhei contigo a noite passada. Encolhias-te e eu abraçava-te. Sonhasse contigo todos os dias e teria narcolepsia; sonhasse contigo dia nenhum e daria em louco; sonho contigo algumas vezes e preciso de te escrever, mesmo que não tenha nada para te dizer.
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